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Cotação do dólar

Repasse cambial: como o dólar chega ao preço dos produtos no mercado e nas lojas

Por Willian Gonçalves Rios - Economista Chefe1 min de leitura
Carrinho de compras com uma pilha de notas de dólar

Dólar em alta não encarece tudo de uma vez nem na mesma proporção. Veja como funciona o repasse cambial para o seu bolso.

Quando o dólar sobe, é comum ouvir que os preços vão subir também. A relação existe, mas é menos direta do que parece: o câmbio chega ao preço de cada produto por caminhos diferentes, em prazos diferentes e em intensidades diferentes.

A resposta direta é: o repasse cambial é a parcela da variação do dólar que acaba aparecendo no preço final ao consumidor. Ele é maior em produtos importados, em itens com insumos cotados em dólar e em commodities exportadas, e costuma levar semanas ou meses para se completar. Já a queda do dólar costuma chegar ao preço de forma mais lenta e parcial.

Para entender por que a moeda sobe ou cai, veja também como a inflação americana impacta a cotação do dólar.

Por onde o dólar entra no preço

O primeiro caminho é o mais visível: produtos importados prontos, como eletrônicos, peças e brinquedos, são comprados em dólar. Quando a moeda sobe, o custo em reais sobe junto.

O segundo é o dos insumos. Muitos produtos fabricados no Brasil usam componentes, embalagens, fertilizantes ou trigo importados, ou matérias-primas cujo preço é referenciado em dólar. Aqui o efeito é indireto, mas atinge uma lista longa de itens.

O terceiro é o das commodities. Soja, milho, carne e café são vendidos para o exterior em dólar. Com a moeda alta, exportar compensa mais, e o produtor passa a cobrar no mercado interno preços mais próximos dos de fora, o que pode encarecer alimentos básicos.

Por que o repasse leva tempo

As empresas costumam ter estoques comprados com um câmbio anterior e contratos com preços combinados. Enquanto essa mercadoria não acaba, o custo não muda.

Corredor de supermercado com prateleiras de produtos enlatados
Alimentos e insumos importados são alguns dos primeiros a sentir a variação do dólar.

Há também o uso de proteção cambial (hedge) por empresas maiores, que travam o preço do dólar para os próximos meses e suavizam o impacto. Pequenos negócios, sem essa proteção, tendem a sentir e repassar mais rápido.

Outro fator é que as empresas observam se o aumento do dólar é passageiro ou duradouro. Se parecer temporário, muitas seguram os preços e absorvem parte do custo para não perder clientes.

Quais preços reagem mais ao dólar

Os mais sensíveis costumam ser eletrônicos, celulares, computadores, carros e peças importadas, além de itens ligados ao petróleo, como combustíveis e fretes. Alimentos que dependem de trigo, óleo e carnes exportadas também reagem.

Já serviços locais, como corte de cabelo, aluguel de uma loja de bairro ou mensalidades, dependem menos do câmbio e mais de salários e demanda interna.

O peso do dólar varia entre empresas e ao longo do tempo. Por isso, a regra "dólar subiu 10%, preço sobe 10%" quase nunca se confirma.

Por que a queda do dólar nem sempre barateia os produtos

O repasse da queda costuma ser menor que o da alta. As empresas relutam em reduzir preços porque a margem perdida na fase de alta precisa ser recomposta, e o consumidor, em geral, reclama menos de preços estáveis do que gosta de preços menores.

Além disso, a moeda mais barata convive com outros custos, como salários, aluguéis, energia e impostos, que não caem junto. O resultado é que o preço pode ficar estável mesmo com o dólar em queda. Quando há muita concorrência, como em eletrônicos e e-commerce, a redução aparece mais rápido. Veja o que costuma derrubar a moeda em o que faz o dólar cair frente ao real.

Como o consumidor pode se planejar

Se você pretende comprar um produto importado ou muito dependente do câmbio, acompanhar a tendência do dólar ajuda a escolher o momento. Alertas de preço e comparação entre lojas evitam pagar mais por causa de uma defasagem de preço.

Para itens do dia a dia, a melhor defesa é comparar marcas e embalagens, aproveitar promoções e evitar compras por impulso em períodos de pico do câmbio.

É comum que o custo de produtos de grande consumo reflita mais as commodities do que o dólar do dia. Por isso vale entender o efeito de por que as commodities movimentam a cotação do dólar.

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Perguntas frequentes

O que é repasse cambial?

É a parcela da variação do dólar que se transforma em mudança no preço final pago pelo consumidor.

O dólar alto sempre aumenta os preços?

Não necessariamente. O efeito depende de quanto cada produto usa insumos importados, da concorrência e do tempo que as empresas levam para ajustar o preço.

Por que os preços demoram a cair quando o dólar cai?

As empresas recompõem margens perdidas na alta, têm contratos e estoques anteriores e outros custos não acompanham o câmbio.

Quais produtos são mais afetados pelo dólar?

Eletrônicos, carros, peças importadas, combustíveis e alimentos que dependem de trigo, óleos e carnes exportadas.

Como me proteger do repasse cambial?

Compare preços, acompanhe a tendência do dólar antes de compras grandes e evite comprar por impulso em picos da moeda.

Sobre quem escreveu

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Willian Gonçalves Rios - Economista Chefe

Redação

A redação do Dolar Preço Hoje analisa tendências do mercado de dólar, euro e outras moedas.

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