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Cotação do dólar

Por que as commodities movimentam a cotação do dólar

Por Willian Gonçalves Rios - Economista Chefe2 min de leitura
Contêineres de carga em um porto comercial pronto para exportação de commodities.

A variação no preço internacional das commodities altera o fluxo de moeda estrangeira no Brasil, influenciando diretamente a cotação do dólar comercial.

Quando você acompanha o mercado financeiro ou precisa realizar transações em moeda estrangeira, é comum perceber que oscilações no valor de produtos agrícolas, minerais e energéticos afetam o câmbio nacional. Quem pretende comprar moeda estrangeira ou entender o custo de produtos importados muitas vezes não compreende por que a cotação do dólar oscila conforme o comportamento do comércio exterior.

As commodities influenciam a cotação do dólar porque representam a fatia mais significativa das exportações do Brasil, atuando como o principal canal de entrada de divisa estrangeira na economia nacional. Matérias-primas cruciais para a indústria global, a exemplo de grãos, minério de ferro e petróleo, possuem suas cotações negociadas em bolsas internacionais cotadas unicamente em dólares. Quando a demanda internacional por esses insumos se eleva ou quando seus preços sobem, as empresas exportadoras brasileiras arrecadam volumes expressivamente maiores da moeda americana com as suas vendas ao exterior.

Para utilizar esses recursos dentro do território nacional, pagar salários, fornecedores e obrigações tributárias, essas empresas exportadoras precisam converter as divisas recebidas em reais. Essa liquidação das receitas de exportação é efetuada por meio de contratos de câmbio intermediados por instituições financeiras autorizadas a operar no sistema bancário brasileiro. O ingresso desse fluxo contínuo de divisas aumenta a disponibilidade da moeda americana em circulação no mercado interno. Em um regime de câmbio flutuante, a lei da oferta e da procura determina que, quanto maior for a presença de dólares no mercado doméstico, menor tende a ser o seu valor de troca em relação ao real.

Por outro lado, quando ocorrem quedas nas cotações globais das commodities ou retração na compra por parte dos grandes parceiros internacionais, o fluxo de dólares para o país cai sensivelmente. A menor oferta da moeda americana em território nacional cria escassez relativa de liquidez, elevando o custo de aquisição da divisa e provocando a valorização do dólar frente à moeda brasileira.

Além disso, o desempenho das exportações de commodities altera as projeções sobre o saldo de comércio e as contas externas do país. Para acompanhar os efeitos dessas movimentações no valor diário da moeda, o canal oficial para verificar a cotação média das operações de câmbio é a taxa PTAX, apurada e publicada pelo Banco Central do Brasil.

Como o saldo comercial brasileiro impacta a liquidez do dólar

A balança comercial registra a diferença contábil entre todas as exportações e importações de bens e mercadorias efetuadas por um país ao longo de um determinado período. No cenário brasileiro, uma parcela expressiva do volume financeiro total vendido ao exterior é composta por bens primários de origem agrícola, mineral e energética. Quando os preços internacionais desses insumos se valorizam, o saldo financeiro total das vendas brasileiras atinge patamares elevados, resultando em um superávit comercial robusto. Esse resultado positivo indica que o volume de moeda estrangeira ingressando no território nacional superou o montante de divisas que saiu para o pagamento de produtos importados. A liquidação desses valores pelas empresas exportadoras ocorre com a contratação de operações cambiais processadas por instituições autorizadas. Quando a oferta de dólares no mercado interbancario aumenta de maneira consistente, a moeda americana perde força perante o real. Para consultar registros de contratos de câmbio e outras informações de operações financeiras, o cidadão ou empresa pode utilizar a ferramenta Registrato, mantida pelo Banco Central do Brasil.

Entenda o impacto da cotação internacional do dólar nos preços

A expressiva maioria das matérias-primas negociadas no comércio internacional tem seus preços fixados globalmente em dólares norte-americanos. Essa convenção gera uma relação inversamente proporcional entre a força da moeda dos Estados Unidos no ambiente global e a cotação das commodities em termos nominais. Quando a moeda americana se fortalece de forma ampla no cenário internacional perante outras moedas — dinâmica que pode ser observada através do indice DXY —, o preço dos insumos primários se torna proporcionalmente mais elevado para países compradores que utilizam moedas locais. Como efeito direto dessa alta de custos para os importadores internacionais, a demanda global por esses insumos tende a sofrer retração. Para restabelecer o equilíbrio do mercado e manter o volume de vendas, os preços dessas mercadorias em dólares passam por ajustes para baixo. Essa retração nos preços internacionais resulta em menores receitas para os exportadores brasileiros, reduzindo o fluxo de divisas que entra na economia nacional e criando pressão de alta na cotação do dólar no mercado interno.

De que maneira os ciclos econômicos influenciam a taxa de câmbio

Os mercados internacionais de bens primários são caracterizados por ciclos de flutuação que podem durar anos, movidos pelo ritmo de crescimento da atividade econômica global, industrialização e eventos climáticos. Nos ciclos de alta das commodities, a procura contínua por alimentos, minérios e energia mantém as cotações em níveis elevados por longos períodos. Países emergentes exportadores, a exemplo do Brasil, vivenciam fases prolongadas de valorização da moeda nacional decorrentes do influxo constante de recursos e da melhora nas contas externas. Em contrapartida, quando a economia mundial enfrenta desaceleração ou recessão, a menor demanda por insumos provoca a queda das cotações e reduz a entrada de moeda estrangeira nos países produtores. Nesses momentos de escassez de divisas, a moeda local tende a se depreciar perante o dólar. Para acompanhar o impacto dessas flutuações nas disponibilidades de liquidez em moeda estrangeira do país, o Banco Central do Brasil publica dados atualizados sobre o saldo do setor externo e a posição das reservas internacionais.

Imagens

A red combine harvester operating in a soybean field during the fall harvest in Crete, Illinois.
Foto: Kurt Hudspeth no Pexels
Assuntos:commodities-e-dolarbalanca-comercialcotacao-do-dolarmercado-de-cambioptax-banco-central

Perguntas frequentes

O que são commodities e qual sua importância para o Brasil?

Commodities são matérias-primas padronizadas negociadas em escala global, como soja, petróleo e minério de ferro. Elas são fundamentais para o Brasil porque representam a maior parte das exportações do país e constituem a principal fonte de ingresso de dólares na economia nacional.

Por que o preço das commodities é negociado em dólar?

A precificação global ocorre em dólar por ser a moeda de referência do comércio internacional e apresentar maior liquidez nos mercados financeiros. Isso padroniza os contratos em bolsas de mercadorias no mundo inteiro, facilitando transações entre diferentes países.

Quando o preço da soja sobe o dólar tende a cair?

A tendência geral é de queda do dólar no Brasil quando o preço da soja e de outros insumos sobe. O aumento nas cotações faz com que os exportadores recebam mais dólares pelas vendas, aumentando a oferta de moeda americana no mercado doméstico e valorizando o real.

Onde consultar a cotação oficial do dólar usada no mercado?

A cotação oficial de referência no país é a taxa PTAX, apurada e divulgada diariamente pelo Banco Central do Brasil em seu portal oficial.

Como acompanhar o fluxo de entrada de dólares no país?

O Banco Central do Brasil divulga relatórios periódicos sobre o fluxo cambial, detalhando o saldo das operações comerciais e financeiras, além de disponibilizar dados no sistema Registrato.

Sobre quem escreveu

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Willian Gonçalves Rios - Economista Chefe

Redação

A redação do Dolar Preço Hoje analisa tendências do mercado de dólar, euro e outras moedas.

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