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Cartão e conta em dólar

Fatura em dólar: qual cotação vale, compra ou fechamento

Por Willian Gonçalves Rios - Economista Chefe1 min de leitura
Cartão de crédito e documentos de solicitação sobre uma superfície de madeira

A mesma compra em dólar pode chegar à fatura com valores diferentes, conforme a regra do emissor. Veja como conferir e se planejar.

Quem usa o cartão de crédito no exterior ou em lojas internacionais costuma se surpreender quando a fatura chega: o valor em reais não bate com a conta feita na hora da compra. A explicação está na regra de conversão do emissor, que define qual cotação do dólar será usada e quando.

A resposta direta é: a cotação aplicada nas compras em dólar varia conforme o emissor do cartão e o contrato. Alguns convertem pela cotação do dia da compra (ou do processamento da transação), outros pela do fechamento da fatura e outros ainda pela do vencimento ou do pagamento. Somam-se a ela o IOF e, em alguns casos, um spread. A regra consta no contrato e no aplicativo do banco, e vale conferir antes de viajar.

As três formas mais comuns de conversão

Na primeira, a compra é convertida em reais pela cotação do dia em que a transação foi processada, e o valor fica fixo na fatura. Isso dá previsibilidade, porque você sabe quanto vai pagar logo depois da compra.

Na segunda, a compra é registrada em dólar e convertida na data de fechamento da fatura. Nesse caso, a cotação pode mudar entre a compra e o fechamento, e o valor em reais só é conhecido no fim do ciclo.

Na terceira, a conversão acontece perto do vencimento ou no pagamento, o que estende a exposição ao câmbio. Cada emissor adota sua regra, e ela pode mudar, por isso consulte o contrato e o aplicativo.

Exemplo: a mesma compra, três valores

Imagine uma compra de US$ 100. No dia da compra, o dólar está a R$ 5,00. No fechamento da fatura, está a R$ 5,20, e no vencimento, a R$ 5,10. Pela regra do dia da compra, a fatura traria R$ 500. Pela do fechamento, R$ 520. Pela do vencimento, R$ 510, sempre antes do IOF.

Mulher na mesa de trabalho com cartão de crédito, notebook e dinheiro, concentrada
Conferir a regra de conversão do seu cartão evita diferenças entre o valor esperado e o da fatura.

A diferença de R$ 20 em uma compra de US$ 100 mostra como o câmbio pesa quando a conversão ocorre depois. Em viagens com gastos de milhares de dólares, a variação pode chegar a centenas de reais.

O exemplo é hipotético, e a variação pode ir nos dois sentidos: se o dólar cair entre a compra e a conversão, a regra posterior passa a ser mais vantajosa.

IOF, spread e outras cobranças na fatura

Além da cotação, a fatura inclui o IOF das operações internacionais, cuja alíquota é definida pelo governo e pode mudar. Confira a alíquota vigente no momento da compra, porque ela afeta o custo total.

Alguns emissores aplicam um spread sobre a cotação de referência. Ele pode estar embutido na cotação mostrada no aplicativo, e é um custo adicional que não aparece como tarifa separada.

Verifique também se há tarifa por compra internacional e como são tratados estornos e cancelamentos. Em estornos, o valor em reais devolvido pode ser diferente do cobrado, porque costuma usar a cotação do dia do estorno.

Como descobrir a regra do seu cartão

Procure no aplicativo ou no site do banco a seção de compras internacionais ou de câmbio, onde costuma estar explicada a regra de conversão. O contrato do cartão também descreve a política, e o atendimento pode confirmar por escrito.

Um teste prático é fazer uma compra pequena em dólar antes de viajar e acompanhar como ela aparece no aplicativo: se o valor em reais já aparece definitivo ou se muda até o fechamento da fatura.

Pergunte ainda como o banco trata compras feitas perto do fechamento, porque elas entram na fatura seguinte, e se a conversão considera dias úteis, feriados e fins de semana.

Como se planejar para não ter surpresas

Se a regra do seu cartão converte no fechamento ou no vencimento, trate o valor em reais como estimativa e deixe uma margem no orçamento. Calcule os gastos com uma cotação um pouco acima da atual.

Em viagens, acompanhe os gastos em dólar e converta mentalmente com folga, e não apenas pela cotação do dia. Considere comprar parte da moeda com antecedência para reduzir a dependência do câmbio na fatura.

Evite pagar em reais quando a maquininha oferecer a conversão, porque a cotação do estabelecimento costuma ser pior. Este conteúdo é informativo e as regras variam por emissor, então confirme com o seu banco.

Perguntas frequentes

Qual cotação o cartão usa nas compras em dólar?

Depende do emissor e do contrato: pode ser a do dia da compra, a do fechamento da fatura ou a do vencimento. Consulte o aplicativo do banco.

O valor da fatura pode ser diferente do que calculei?

Sim. Se a conversão ocorrer depois da compra, o câmbio pode ter mudado, e há ainda o IOF e um possível spread.

O IOF aparece na fatura?

Sim, como um lançamento ou embutido no valor convertido. A alíquota vigente deve ser conferida no momento da compra.

Como saber a regra do meu cartão?

No contrato, na seção de compras internacionais do aplicativo ou com o atendimento do banco, que pode confirmar por escrito.

Estorno de compra em dólar devolve o mesmo valor em reais?

Nem sempre. O estorno costuma usar a cotação do dia da devolução, que pode ser diferente da da compra.

Sobre quem escreveu

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Willian Gonçalves Rios - Economista Chefe

Redação

A redação do Dolar Preço Hoje analisa tendências do mercado de dólar, euro e outras moedas.

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