Conta em dólar para receber aposentadoria ou pensão do exterior

Quem recebe benefício em dólar pode converter direto no banco ou manter o valor numa conta internacional. Veja prós, contras e custos.
Quem trabalhou fora do Brasil ou é dependente de alguém que trabalhou costuma receber aposentadoria ou pensão em dólar todo mês. A dúvida é onde receber esse dinheiro para perder menos na conversão.
A resposta direta é: há dois caminhos principais. O primeiro é receber direto numa conta em real no Brasil, com a conversão feita pelo banco na chegada. O segundo é receber numa conta em dólar, em geral uma conta internacional, e converter só quando e quanto precisar. O segundo costuma dar mais controle sobre a cotação e o spread, desde que a fonte pagadora aceite depositar nessa conta.
Em qualquer caso, o benefício pago do exterior a quem mora no Brasil normalmente precisa ser declarado. As estratégias para reduzir o custo de valores recorrentes estão no texto sobre recebimentos recorrentes em dólar.
Receber direto no banco brasileiro
É o caminho mais simples. A fonte pagadora envia o valor e o banco brasileiro converte para real assim que o dinheiro chega, creditando na sua conta corrente.
A desvantagem é que você não escolhe a cotação. O banco aplica a taxa do momento com o spread dele, que em bancos tradicionais pode ser alto. Além disso, a remessa pode passar por bancos intermediários que descontam tarifas no caminho.
Para quem prefere não lidar com aplicativos e recebe valores modestos, a praticidade pode compensar. Mas vale comparar quanto chegou em reais com a cotação comercial do dia para saber o custo real de cada mês.
Receber numa conta em dólar
Contas internacionais oferecidas por fintechs costumam fornecer dados bancários nos Estados Unidos, o que permite que a fonte pagadora deposite em dólar como se fosse uma conta local.
O dinheiro fica em dólar até você decidir converter. Isso permite escolher o momento, converter só o necessário e manter o restante como reserva em moeda forte. O spread na conversão para real costuma ser menor que o de bancos tradicionais.
Antes de mudar, confirme se o órgão pagador aceita depositar nesse tipo de conta. Alguns sistemas previdenciários exigem conta em nome do beneficiário em instituição aceita por eles, ou têm regras próprias para pagamento no exterior.
Custos que entram na conta
Na conversão de dólar para real há o spread da instituição e, dependendo da operação, IOF. As alíquotas de IOF já mudaram por decreto mais de uma vez, então confira a vigente para o tipo de transação que você faz.
Também podem existir tarifas de recebimento, cobradas por bancos intermediários ou pela própria instituição. Em pagamentos mensais, uma tarifa fixa pequena pesa bastante quando o benefício é baixo.
Uma forma prática de comparar é olhar o valor líquido em reais que chegou por cada caminho em dois ou três meses, usando sempre a cotação comercial do dia como referência.
Imposto de Renda sobre o benefício
Para quem é residente fiscal no Brasil, rendimentos recebidos de fonte no exterior, como aposentadorias e pensões, em geral são tributáveis e devem ser recolhidos mensalmente pelo carnê-leão, além de informados na declaração anual.
O tratamento pode mudar conforme o país pagador e a existência de acordo para evitar dupla tributação. Em alguns casos, o imposto pago lá fora pode ser compensado aqui.
Como cada situação tem detalhes, vale conversar com um contador que conheça rendimentos do exterior, principalmente no primeiro ano em que você passa a receber. Guardar os comprovantes de cada crédito facilita muito esse trabalho.



