$
A hora de comprar dólar

O que são BDRs e como investir em empresas estrangeiras pela B3

Por Willian Gonçalves Rios - Economista Chefe2 min de leitura
Pessoa analisando gráficos financeiros e cotações de empresas estrangeiras em um computador.

Descubra como investir em grandes empresas globais diretamente pela bolsa brasileira usando reais, sem necessidade de enviar remessas ao exterior.

Se você deseja diversificar a sua carteira com empresas globais de grande porte, mas quer evitar a burocracia de abrir conta em uma corretora estrangeira e realizar transferências internacionais de câmbio, o mercado financeiro nacional dispõe de um mecanismo direto. Para responder de forma simples: você pode investir em companhias estrangeiras negociando BDRs (Brazilian Depositary Receipts) diretamente na bolsa de valores brasileira, a B3, utilizando reais e a infraestrutura das corretoras locais.

Um BDR é um certificado de depósito negociado no Brasil que possui lastro em ativos emitidos no exterior. Na prática, você não se torna acionista direto da empresa estrangeira, mas passa a deter um título que reflete o preço das ações e a variação cambial. Uma instituição depositária devidamente autorizada compra os papéis originais no mercado internacional, mantém esses ativos custodiados em uma instituição financeira parceira no exterior e emite os certificados para negociação em ambiente nacional.

O valor de cada BDR flutua de acordo com dois pilares centrais: a variação do preço da ação na bolsa de origem e a oscilação da moeda estrangeira frente à moeda nacional. Quando a cotação da empresa sobe lá fora ou quando o dólar se valoriza perante o real, o preço do certificado listado na B3 tende a aumentar. Por esse motivo, esse instrumento também funciona como uma forma prática de proteger o patrimônio contra a depreciação da moeda local. O parâmetro de conversão utilizado costuma acompanhar a cotação do dólar comercial, refletindo as operações no mercado de câmbio interbancário.

Além da valorização das cotações, os detentores de certificados também possuem direito ao recebimento de proventos e dividendos distribuídos pela empresa emissora. A instituição depositária recebe esses valores no exterior, faz a conversão para reais e deposita a quantia líquida na conta da sua corretora no Brasil. No entanto, é fundamental compreender que esses rendimentos passam por tributação tanto no país de origem quanto nas regras fiscais brasileiras.

Ao negociar esses papéis na B3, o investidor deve acompanhar suas operações para apurar o ganho de capital em caso de venda de ativos com lucro. Diferente do mercado de ações locais, as operações com certificados de depósito possuem regras específicas de tributação e exigem atenção no momento do recolhimento de imposto. O acompanhamento dos saldos em carteira e a verificação das pendências fiscais devem ser realizados por meio do programa do Imposto de Renda ou no portal e-CAC da Receita Federal. Para investidores que buscam entender operações avançadas na bolsa, vale conferir também como funcionam os contratos futuros na B3 para gestão de risco.

O acesso a essa modalidade de investimento está disponível para qualquer pessoa física com conta em corretora habilitada no Brasil. Não há necessidade de assinar termos de transferência internacional nem de cumprir exigências regulatórias estrangeiras, pois todas as ordens de compra e venda são liquidadas no ambiente da B3 e registradas sob o CPF do investidor.

Como funciona a estrutura de custódia e o lastro dos ativos

A operação de um certificado de depósito depende de uma estrutura dividida entre o Brasil e o país onde a empresa está sediada. A instituição depositária no Brasil assume a responsabilidade de emitir os certificados na B3, enquanto uma custodiante no exterior mantém as ações originais bloqueadas em conta de custódia. Essa garantia garante que cada certificado emitido no mercado brasileiro possua um correspondente direto em papéis da empresa estrangeira.

Existem duas categorias principais de certificados no mercado nacional: os patrocinados e os não patrocinados. Nos programas patrocinados, a própria companhia estrangeira participa da emissão dos títulos, interessada em captar recursos ou dar visibilidade aos seus papéis no mercado brasileiro. Já nos programas não patrocinados, a iniciativa parte da própria instituição financeira depositária, que identifica demanda dos investidores locais e cria o certificado sem o envolvimento direto da empresa emissora das ações.

Cada certificado possui uma proporção específica em relação à ação original, conhecida como razão do BDR. Uma única ação no exterior pode corresponder a um certificado, a uma fração dele ou a múltiplos certificados na B3. Essa paridade é definida pela instituição depositária para adequar o preço unitário de negociação à realidade do mercado brasileiro. A consulta aos relatórios de custódia e aos documentos da emissão pode ser feita diretamente nos canais de comunicação da B3 e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O impacto do câmbio e a dupla exposição nos resultados

Investir em papéis internacionais por meio da bolsa brasileira expõe a sua carteira a uma dinâmica dupla de volatilidade. A variação da cotação do BDR na B3 resulta do produto entre o preço do ativo na bolsa de origem e a taxa de câmbio entre a moeda estrangeira e o real. Isso significa que a valorização do papel em reais pode ocorrer devido à alta da ação no exterior, à apreciação da moeda estrangeira ou à combinação de ambas.

Por outro lado, essa característica também exige atenção em cenários de forte oscilação cambial. Caso a ação no exterior registre valorização, mas a moeda estrangeira sofrer uma queda acentuada frente ao real no mesmo período, o preço do certificado na B3 pode ficar estagnado ou até apresentar queda em moeda local. O investidor, portanto, assume o risco do negócio da empresa e a variação cambial de forma simultânea.

Essa relação faz com que o instrumento seja utilizado por muitos investidores como mecanismo de proteção de patrimônio contra a inflação e a desvalorização cambial doméstica. Ao cotar um ativo cujo valor de fundo é cotado em dólar, a posição em carteira acompanha o poder de compra global da moeda norte-americana. Para aprofundar a compreensão sobre os efeitos do imposto em operações internacionais e a estrutura de alíquotas cruzadas, consulte os mecanismos de prevenção à bitributação entre jurisdições.

Regras de tributação sobre ganhos e recebimento de dividendos

A tributação dos certificados negociados na B3 possui particularidades que os diferenciam das ações de empresas brasileiras. Quando o investidor vende um BDR com lucro em operações comuns de mercado a vista, o ganho de capital fica sujeito à incidência de Imposto de Renda. Não existe para esses certificados a faixa de isenção mensal concedida às vendas de ações de companhias abertas sediadas no Brasil.

A responsabilidade pela apuração e pagamento do imposto devido sobre o ganho de capital em vendas com lucro é do próprio investidor. O recolhimento deve ser efetuado até o último dia útil do mês subsequente ao da operação lucrativa, utilizando a guia de arrecadação federal correspondente. Em operações do tipo day trade, em que a compra e a venda ocorrem no mesmo dia, aplica-se uma alíquota diferenciada sobre o lucro obtido.

No caso dos proventos e dividendos repassados pela empresa emissora no exterior, a cobrança de imposto pode ocorrer em duas etapas. A primeira acontece no país de origem, onde a autoridade tributária local costuma reter o imposto direto na fonte antes de enviar o montante líquido à instituição depositária. Ao chegar ao Brasil, caso o país estrangeiro não possua acordo de reciprocidade tributária com o Fisco brasileiro, o investidor pessoa física deve recolher o imposto complementar via Carnê-Leão, acessível pelo portal e-CAC da Receita Federal. A declaração anual consolidada de todos os saldos e rendimentos é realizada no programa do Imposto de Renda.

Como realizar a compra de certificados no mercado da B3

O processo de aquisição de certificados de empresas estrangeiras é idêntico à compra de ativos tradicionais na bolsa de valores nacional. O primeiro passo consiste em abrir conta em uma corretora de valores credenciada no Brasil e transferir os recursos em reais via PIX ou TED para a sua conta de investimentos.

Com os recursos disponíveis, acesse o sistema de home broker ou o aplicativo da sua corretora e pesquise pelo código de negociação do certificado. Na B3, os BDRs são identificados por um código de quatro letras maiúsculas seguido por números no final, geralmente o número 34 para programas não patrocinados ou 35 para programas patrocinados. Ao selecionar o código do ativo desejado, o sistema exibirá as ofertas de compra e venda disponíveis no livro de ofertas.

Após analisar o preço de mercado, determine a quantidade de certificados que deseja adquirir e informe o valor da ordem de compra. Assim que a ordem for executada no ambiente de negociação da B3, os títulos serão creditados na sua conta de custódia no prazo padrão de liquidação da bolsa brasileira. Toda a custódia fica registrada em seu CPF no ambiente digital da B3, sem necessidade de intermediários no exterior ou emissão de contratos de câmbio manuais pelo investidor.

Imagens

A close-up of a hand pointing at cryptocurrency charts on a monitor, indicating market analysis.
Foto: Rafael Minguet Delgado no Pexels

Perguntas frequentes

Como saber se um BDR distribui dividendos aos investidores?

A distribuição depende da política de proventos da empresa estrangeira emissora das ações originais. Se a companhia pagar dividendos no exterior, a instituição depositária no Brasil recebe os valores, faz a conversão cambial e repassa o montante líquido para a conta da sua corretora.

Qual é a diferença principal entre comprar BDR na B3 e investir diretamente no exterior?

Na compra do certificado pela B3, a transação ocorre em reais e sob a regulação brasileira, sem necessidade de remessa cambial. Na conta no exterior, você adquire a ação direta na bolsa estrangeira em moeda forte, assumindo a gestão direta da custódia fora do país.

O investidor de BDR tem direito a voto nas assembleias da empresa?

De forma geral, o detentor do certificado não possui direito a voto direto nas assembleias de acionistas da companhia estrangeira. A instituição depositária detém as ações originais em custódia e pode, em alguns programas específicos patrocinados, disponibilizar mecanismos de consulta de voto aos titulares.

Existe cobrança de taxa de custódia para manter certificados de empresas estrangeiras?

A B3 e as corretoras brasileiras em geral não cobram taxa de custódia para pessoas físicas em renda variável. No entanto, a instituição depositária que emite o certificado pode reter uma pequena taxa de serviço sobre a distribuição de dividendos antes de repassar o saldo final ao investidor.

Onde consultar se a minha declaração de BDRs possui alguma pendência com o Fisco?

Para checar se há divergências nos dados informados de imposto sobre proventos ou ganho de capital, você deve acessar o extrato da declaração no e-CAC da Receita Federal. Caso haja inconsistências no cruzamento de dados, o próprio portal indicará a necessidade de retificação ou envio de documentos comprovatórios.

Sobre quem escreveu

WG

Willian Gonçalves Rios - Economista Chefe

Redação

A redação do Dolar Preço Hoje analisa tendências do mercado de dólar, euro e outras moedas.

Continue lendo