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Cotação do dólar

Dólar e preço da gasolina: como o câmbio chega à bomba

Por Willian Gonçalves Rios - Economista Chefe1 min de leitura
Bomba de combustível com o preço e o nível de octanagem à mostra

Dólar e petróleo mexem no preço do combustível, mas o caminho até a bomba é longo. Veja o que entra na conta e o que não entra.

Quando o dólar sobe, é comum ouvir que a gasolina vai subir também. A relação existe, mas ela é bem menos direta do que parece: entre a cotação do petróleo no mercado internacional e o preço que você paga no posto há refino, impostos, mistura de etanol e margens de distribuição e revenda.

A resposta direta é: o dólar afeta o preço da gasolina porque o petróleo é cotado em dólar, mas o valor na bomba também depende do preço fixado pelo produtor, de impostos, do etanol misturado e das margens. O repasse de variações do câmbio e do petróleo não é imediato, e muitas vezes acontece em degraus, quando o produtor decide reajustar. Por isso, o dólar sozinho não explica a gasolina.

O que compõe o preço da gasolina

O preço que aparece na bomba reúne várias parcelas. Há o valor cobrado pelo produtor ou importador, os tributos federais e estaduais (como PIS/Cofins e ICMS), o custo do etanol anidro que é misturado à gasolina, e as margens da distribuição e dos postos.

Essa composição varia ao longo do tempo e por estado, porque o ICMS é estadual e as margens dependem da região. Por isso, o mesmo litro pode custar valores diferentes em cidades vizinhas.

A parte que sofre influência direta do dólar e do petróleo é a do produtor. As demais respondem a impostos, ao etanol e à logística, e podem reforçar ou amortecer o efeito do câmbio.

O caminho do petróleo em dólar até o litro em reais

O petróleo é negociado no mercado internacional em dólar, e o barril tem cerca de 159 litros. Um exemplo ilustrativo, só do petróleo cru: com o barril a US$ 80, cada litro equivale a cerca de US$ 0,50. Com o dólar a R$ 5,50, isso dá aproximadamente R$ 2,77 por litro de matéria-prima.

Grande refinaria de petróleo com tubulações e torres sob céu azul
O petróleo é negociado em dólar, e o refino transforma o barril em gasolina e diesel.

Se o dólar sobe para R$ 6,00, o mesmo litro de petróleo passa a custar cerca de R$ 3,02, uma diferença de R$ 0,25. Esse valor não é o da gasolina, que passa por refino, impostos e margens, mas mostra o tamanho do efeito do câmbio na matéria-prima.

Se o preço do petróleo sobe, o efeito é parecido. Como os dois fatores se combinam, dólar alto e petróleo caro juntos pressionam bastante os custos.

Por que a bomba nem sempre acompanha o câmbio

O Brasil produz petróleo e tem grandes refinarias, mas importa parte dos derivados, em especial do diesel. A política de preços da principal produtora define quando e quanto repassar das variações externas. Reajustes costumam ser espaçados, e a empresa pode segurar aumentos por razões de mercado ou de política.

Para os importadores privados, o preço tende a seguir mais de perto o mercado internacional, mas eles respondem por uma parcela menor do abastecimento de gasolina.

Assim, é comum o dólar subir e o preço da bomba ficar parado por semanas, e depois subir de uma vez. O contrário também acontece, com quedas que demoram a chegar.

Etanol, impostos e margens também pesam

A gasolina vendida no Brasil leva uma porcentagem de etanol anidro, definida em lei e que já foi ajustada mais de uma vez. O preço do etanol depende da safra de cana, do açúcar no mercado internacional e do clima, e isso influencia a gasolina final.

Os impostos incidem como valor fixo ou percentual, e mudanças de alíquotas podem alterar o preço mais do que o câmbio. Em períodos em que governos reduzem ou aumentam tributos sobre combustíveis, o efeito sobre a bomba pode superar o do dólar.

As margens de distribuição e revenda variam com a concorrência e a logística, e explicam por que regiões distantes têm preços maiores.

O que isso significa para o seu bolso e para a inflação

Combustíveis pesam no orçamento direto, no abastecimento do carro, e de forma indireta, no frete e nos preços de alimentos e produtos. Por isso, variações do dólar e do petróleo aparecem na inflação com certo atraso.

Para decidir entre etanol e gasolina em carros flex, uma regra prática é que o etanol compensa quando custa até cerca de 70% do preço da gasolina, por rodar menos quilômetros por litro. Vale checar o consumo do seu carro, porque a relação muda de modelo para modelo.

Acompanhar o dólar ajuda a entender tendências, mas não a prever o preço do posto no dia seguinte. Para economizar, compare postos e use aplicativos de preço, que costumam mostrar diferenças relevantes mesmo na mesma região.

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Perguntas frequentes

Se o dólar sobe, a gasolina sobe na hora?

Não necessariamente. O produtor decide quando repassar variações, e o preço na bomba também depende de impostos, etanol e margens.

Por que o petróleo é cotado em dólar?

Por convenção do mercado internacional, o petróleo é negociado em dólar, o que faz o câmbio influenciar o custo em reais.

O que compõe o preço da gasolina?

Valor do produtor, impostos federais e estaduais, etanol anidro misturado e margens de distribuição e revenda.

Quando vale mais a pena abastecer com etanol?

Como regra prática, quando o etanol custa até cerca de 70% do preço da gasolina, conforme o consumo do seu carro.

Imposto pesa mais que o dólar no preço da gasolina?

Pode pesar. Mudanças nas alíquotas têm efeito direto e, em alguns períodos, maior do que o das variações do câmbio.

Sobre quem escreveu

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Willian Gonçalves Rios - Economista Chefe

Redação

A redação do Dolar Preço Hoje analisa tendências do mercado de dólar, euro e outras moedas.

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